Vigilância, Compreensão, Atenção

Se soubésseis compreender, talvez pudésseis ter aproveitado os últimos seis mil anos de experiência com sessenta mil guerras e já saberíeis como evitá-las. Atenção é o elemento essencial para compreender. Prestar atenção é o primeiro segredo.

Vigilância é o melhor termo que nos convém.

Porém, se estiverdes atentos ao conflito que vai pelo mundo, a fome, a guerra, a doença, a competição, tudo formas e consequências de conflitos, vereis que se trata apenas da exteriorização de vosso próprio conflito interior.

Tudo se resume no egoísmo. Egoísmo individual, vosso e meu, eis a base do conflito. A esse egoísmo dais muitos nomes: luta pela vida, competição, religião, ideologia, nacionalidade.

Mas, como podeis vigiar, como podeis compreender todos os vossos conflitos interiores?

Pensais em enfadonhos exercícios, em concentrações profundas, em meditações prolongadas? Pensais em esforço?

Eis vosso engano. Compreender, estar atento, não se obtém com esforço. É no preciso instante em que deixais de fazer esforço que começais a compreender.

Observai vossas ações e vossos pensamentos (egoísmos, ambições, desejos, medos, etc.) sem procurar julgá-los, sem condenar, sem criticar, sem aprovar. Tomai apenas consciência do que está acontecendo.

Sois egoístas? Agistes com ambição? Sentis medo? Por favor, não procureis transformar vossos atos e pensamentos no oposto, pois continuareis em conflito, em outra posição, talvez maior ainda.

A compreensão se obtém sem julgar, sem condenar, sem aprovar. É vigilância passiva e sem qualquer esforço.

Ao usá-la, o compartimento de vossos conflitos e, portanto, o do mundo todo fica aberto e acessível a vossa observação.

Baseado no livro H’Sui Ramacheng de Mario Sanchez